Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço reforça necessidade de prevenção e detecção precoce

O dia 27 de julho foi instituído como o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço no congresso mundial de especialidade, realizado em 2014, pela Federação Internacional das Sociedades Oncológicas de Cabeça e Pescoço. A necessidade de chamar a atenção das pessoas para este tipo de câncer decorre da incidência de casos pelo mundo e a necessidade de prevenção e detecção precoce.

 
Dentre os cânceres mais comuns de cabeça e pescoço no Brasil está o câncer da cavidade oral (boca), e pode ocorrer nos lábios, na gengiva, nas bochechas, no céu da boca, língua e assoalho da boca (região abaixo da língua). Informações do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) mostram que, dos estimados 300 mil casos de câncer da cavidade oral no mundo em 2012, 145 mil levaram a óbito. Já no Brasil, apenas para 2016, estimam-se 15.490 novos casos.

 
Os principais sinais que aparecem em casos de suspeita desse tipo de câncer são feridas nos lábios e na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas ou placas vermelhas/esbranquiçadas na boca, sangramentos sem causa conhecida em qualquer região da boca. É importante lembrar-se de procurar um profissional da saúde de confiança para confirmar o diagnóstico, já que não necessariamente esses sinais representam um câncer.

 

Fayson Merege, fotógrafo, conta que durante uma viagem à Argentina o dente siso começou a nascer. Nos primeiros dias, não ficou preocupado, mas quase uma semana depois, notou algumas feridas na parte interna da bochecha, junto com uma mucosa branca que sangrava constantemente. Em seguida foi a vez de aparecer um caroço no pescoço e inchaço na mandíbula. Preocupado com a possibilidade de estar com um câncer, regressou ao Brasil e procurou um dentista. “Ele só poderia confirmar algo com o resultado da biópsia. E pra minha sorte, foi só uma infecção grave. Depois de tomar os remédios para infecção, fiz a cirurgia do siso”, explica.

 

Felizmente, para o fotógrafo, não se tratava de um câncer, mas a detecção foi essencial para obter um encaminhamento adequado ao problema. O câncer de boca, quando analisados os sintomas por um profissional da saúde, pode ser facilmente identificado. Visitas regulares a dentistas ou médicos responsáveis pela área da cabeça e/ou pescoço auxiliam na detecção precoce e aumentam as chances de cura da doença.

 

O médico Ullyanov Toscano, Coordenador da Residência Médica de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do INCA, explica que a rede pública está disponível para atender os pacientes com suspeita de câncer de boca. “Os postos de saúde estão aptos a realizar uma triagem, identificando as lesões suspeitas e encaminhando os pacientes para hospitais de maior complexidade para diagnóstico e tratamento”.

 

Alguns fatores como alcoolismo e tabagismo podem aumentar em até 65% a chance de desenvolvimento do câncer. Se os dois hábitos estiverem juntos, o risco aumenta ainda mais. O Papiloma Vírus Humano (HPV), quando transmitido por sexo oral, também podem estar associados a cânceres desse tipo.

 

Homens entre 50 e 60 anos são considerados grupo de risco. Um pequeno grupo de pacientes mais jovens, não tabagistas e não alcóolicos pode desenvolver a doença. Pesquisas têm buscado respostas na biologia-molecular para a incidência neste grupo. Porém, ainda não há resposta sobre o assunto.

 

Assim como em outros tipos de câncer, a prevenção e a detecção precoce são fundamentais para obter um resultado eficiente no controle da doença. Mesmo com tratamento acessível e de qualidade, é melhor desenvolver hábitos que ajudem a evitar o problema. Como fatores de risco já são conhecidos por médicos e especialistas, o desafio atual é modificar o comportamento humano.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a prevenção pode ajudar a reduzir a incidência de câncer em até 25% até 2025. Roberto Araújo Lima, chefe da seção de cirurgia de Cabeça e Pescoço do INCA, conta que “hábitos saudáveis são o segredo para tudo. Abstenção de fumo e bebidas alcoólicas, dieta rica em alimentos saudáveis, boa higiene oral, e outras atitudes como estas, diminuem as chances de desenvolver a maioria das doenças malignas, inclusive os tumores de cabeça e pescoço”.

 

O site do INCA disponibiliza outras informações sobre o câncer da cavidade oral . Mas atenção: as informações não substituem a avaliação de um profissional de saúde.

Aline Czezacki, para o Blog da Saúde

fonte: blog da saúde.

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